
As editoras brasileiras registraram crescimento nas vendas ao mercado em 2025, consolidando um cenário de recuperação do setor. Segundo a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – Ano-base 2025, coordenada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com apuração da Nielsen BookData, as vendas ao mercado apresentaram alta nominal de 7,7%, com expansão de 6,5% no volume de exemplares comercializados. Descontada a inflação, o setor teve crescimento real de 3,3%, indicando avanço consistente na demanda por livros no país. Clique aqui e confira a pesquisa completa.
Todos os subsetores apresentaram crescimento nas vendas ao mercado em 2025, o principal destaque foi Obras Gerais, com alta nominal de 8,7% (4,3% em termos reais), consolidando-se como o segmento de maior dinamismo no período. Os demais subsetores também registraram desempenho positivo: em Didáticos houve um crescimento de 3,2%, em Religiosos, de 2,4% e em CTP, de 1,9% em termos reais, o que evidencia uma recuperação disseminada entre os diferentes perfis editoriais.
Entre os gêneros, os maiores avanços no faturamento foram registrados por Didáticos e Ficção Adulto, ambos com crescimento de 12%. Na sequência aparecem: Religiosos (+7%), Infantil e Juvenil (+5,3%) e Não Ficção Adulto (+2,6%).
Outro destaque da pesquisa é a ampliação da relevância do canal de livrarias no mercado editorial em 2025, impulsionado principalmente pelo desempenho de Obras Gerais. Na comparação com 2024, as vendas para esse canal cresceram 6,1 pontos percentuais em volume de exemplares, o que se traduziu em um aumento de 4,3 pontos percentuais na participação das livrarias no faturamento das editoras, reforçando a importância desse canal na comercialização de livros.
“Os resultados mostram que o setor está retomando uma trajetória de crescimento, com avanço nas vendas ao mercado e desempenho positivo em todos os subsetores. Esse movimento já veio sinalizado pela pesquisa Panorama do Consumo de Livros no Brasil, divulgada no começo desse ano, e agora se confirma nos dados do mercado, reforçando a importância do livro e da leitura na vida dos brasileiros”, afirma Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
"Como mencionado pela Sevani, outras pesquisas, como o Painel do Varejo, também feita com a Nielsen e divulgada mensalmente pelo SNEL, já apontavam para esses resultados positivos da Produção e Vendas", comenta Dante Cid, presidente do SNEL. "De toda forma, é muito satisfatório ver esse crescimento confirmado e consolidado nas duas pontas do setor, das editoras ao varejo, como mostra este estudo. Gostaria ainda de destacar o crescimento pelo segundo ano consecutivo em CTP, que vinha anteriormente enfrentando seguidas quedas. Isto aponta para um momento empolgante para os diversos segmentos do mercado editorial."
“Com crescimento de 3,3% em termos reais, 2025 foi inegavelmente positivo para o setor editorial brasileiro, em especial para as editoras de Obras Gerais. Esse desempenho está em linha com a Panorama do Consumo e com os dados apurados pelo Painel do Varejo-BookScan, que possui maior cobertura desse segmento e que também registrou crescimento expressivo. Essa consonância se reflete ainda no aumento da participação das livrarias no faturamento das editoras, impulsionado pela expansão do número de lojas e pelo desempenho dos livros de colorir”, destaca Mariana Bueno, Coordenadora de Pesquisas Econômicas e Setoriais da Nielsen BookData.
Em 2025, foram produzidos cerca de 45 mil títulos e 367 milhões de exemplares, com alta de 2,4% no número de títulos e estabilidade no volume produzido em comparação ao ano anterior. A maior parte da produção segue concentrada em reimpressões, reafirmando o peso dos catálogos no desempenho das editoras.
Livros digitais
Único estudo sobre o tema no país, a Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro é outra parceria entre a CBL e o SNEL, com apuração da Nielsen BookData.
Em 2025, o faturamento das editoras com conteúdo digital apresentou alta nominal de 10%. Quando considerada a inflação do período o crescimento é 5,5%. Pela primeira vez, ficção lidera o ranking de unidades vendidas entre os gêneros na modalidade à la carte.
As bibliotecas digitais mantiveram forte ritmo de crescimento, gerando cerca de R$ 225 milhões em faturamento para as editoras, alta de 24% em relação a 2024. O modelo de assinatura também avançou de forma expressiva, com expansão de 40%, impulsionado principalmente pelo desempenho das assinaturas de e-books, que registraram crescimento de 63%, reforçando a consolidação desses formatos como importantes vetores de receita no ambiente digital.
Em 2025, os conteúdos digitais corresponderam a 9% no faturamento das editoras (impresso + digital).